No dia 11 de novembro, às 18h, na Feira do Livro de Pelotas, serão lançados dois livros que são resultado do trabalho realizado pelo Projeto Arte na Escola, pólo UFPel, durante o ano de 2010. Um deles "Os Lugares da ARte" é fruto do Ciclo de Debates desenvolvido com palestras quinzenais no Instituto de Artes e Design. O outro "Ensino de Arte e (Des)territórios Pedagógicos" é produto de SEminário Ensino de Arte, Educação e Práticas Pedagógicas que ocorreu de 27 a 29 de outubro em Pelotas, como promoção do Instituto de Artes e Design junto com a Faculdade de Educação da UFPEL, sob a coordenação da Profa. Dra. Ursula Rosa da Silva e da Profa. Dra. Mirela Meira.
4 de novembro de 2010
A Rosa Baguala
56° FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
ROSA BAGUALA
Espetáculo de contação de história, dança e música em tempo real.
É Uma (re)leitura do conto de João Simões Lopes Neto "O Manatial"
O personagem Blau faz a narrativa desse causo, onde Maria Altina se apaixona pelo furriel, gauchito teso de nome André, esse amor é tragicamente interrompido por chicão,que era um grosso que a rondava já a algum tempo atacando-lhe a força no dia do casamento; Maria Altina escapa a cavalo perseguida por Chicão e caem no Manantial morrendo.
Dizem que até hoje quando passam por lá escutam uma alma dizendo barbaridades e veêm estarrecidos a Roseira Baguala no meio pântano, que nasceu da rosa que Maria Altina tinha no cabelo, ofertada pelo seu amor André .
O Centro Contemporâneo Berê Fuhro Souto apresenta a Rosa Baguala usando como linguagens a Dança,contação de Histórias e a Música. No elenco a bailarina e contadora da história, Jaqueline Pradie interpretando Blau, Chicão e Maria Altina e o músico, compositor da trilha, Leonardo Oxley com violoncelo, violino e flautas.
Berê Fuhro Souto é quem assina o trabalho, esse desenvolvido a 27 anos em Pelotas e nos últimos 10 nos países vizinhos, como Chile, Uruguai e Argentina, tendo recebido por isso a Comenda CRUZ DEL SUR no Senado Argentino( 2008-BA ) e no Congresso Mundial de Dança( 2008-Athenas ) teve aprovado seu Método Estímulo a Dança(UNESCO ).
DATA: 05/11
HORÁRIO: 19h 30min
LOCAL: ARENAS DAS HISTÓRIAS (ARMAZÉM A1 DO CAIS DO PORTO)
Reverência ao tempo
E pensar que não faz muito tempo a carreira de intérprete no balé dificilmente sobreviveria aos seus trinta anos. Quem desfrutou da apresentação de Três solos e um dueto, na última quarta-feira, agradeceu os tempos serem outros. Em cena dois ícones d...a dança do século XX, Ana Laguna e Mikhail Baryshnikov, revelando um refinado exercício de sobriedade e delicadeza que comoveu o público, no Teatro do Sesi lotado. O programa da noite equilibrou obras consagradas com a produção de novos coreógrafos internacionais. Lá estava o lirismo e competência do sueco Matk Ek, em Solo for two e Place. Bem como a inédita Valse-Fantasie, do russo Alexei Ratmansky. E ainda a inteligência e bom humor de Years later, do francês Benjamin Millepied (aliás que em breve poderá ter seu talento conferido nas telas em Black Swan, protagonizado por Natalie Portman).
Mas não há como apreciar o programa sem sermos afetados pelo fato de que estamos diante de dois mitos da dança, Ana Laguna, com 54 anos, e Baryshnikov, com 62 anos. Ambos optando por não abandonar os palcos no ápice de suas carreiras e permitindo ver os frutos da maturidade de seus corpos dançantes. E não há no fato dessa constatação etária qualquer condescendência (daquela que torna tão difícil avaliar apresentações infantis e de idosos), mas sim a afirmação de outras qualidades nos intérpretes que dançam que não as do virtuosismo imperativo de numerosas piruetas, grandes saltos ou equilíbrio em sapatilhas de pontas. A técnica que transparece no palco é a do domínio tranqüilo e das descobertas que só os anos trazem. A dupla de intérpretes brinca, joga, suaviza, sublinha, mostra quem manda na música e que se pode fazer dança sem recorrer apenas aos efeitos que os consagraram.
Em Years later, Baryshnikov ironiza sua própria imagem juvenil projetada em um filme que o desafia a reproduzir os passos que realizava no passado. Ele não vacila e transforma, reinventa, recusa, esquece de propósito. Não são mais aquelas ferramentas que ele conta para fazer sua dança. E é o assumir dessa condição que dá uma dimensão de rara dignidade à cena. Uma lição, sem aquela postura dos mais velhos que assumem já saber de tudo, mas com o sabor e desafio de saber precisar redescobrir sempre, a cada dia, a cada nova experiência e nos fascinar com a integridade e intensidade de tal ato. Uma salutar perspectiva para as jovens bailarinas que também enchiam a plateia. Que seus mestres e mestras possam reconhecer essa lição e cultivar a tão necessária reverência ao tempo, à memória, mas também ao esquecimento.
Airton TomazzoniÉ coreógrafo e diretor do Grupo Experimental de Dança da Cidade
25 de outubro de 2010
Despedida a Irmngard Hofmann Azambuja - uma das pioneiras da dança em Porto Alegre
É com profundo pesar que o Centro Municipal de Dança comunica o falecimento de Irmngard Hofmann Azambuja, uma das pioneiras da dança no Rio Grande do Sul. Abaixo enviamos texto dedicado a essa importante bailarina, música e professora, responsável pela afirmação e desenvolvimento do balé em Porto Alegre, no início do século XX.
"Recordar de Dona Irmngard é um agradável exercício, por inúmeros /motivos. Primeiro porque minha história enquanto pesquisador de História da Dança está intimamente e entusiasticamente marcada pelo nosso encontro. Mas também pela descoberta e reafirmação da importante figura que ela foi para a cena cultural do Rio Grande do Sul. E talvez mais do que tudo isso, de uma amiga querida, sensível, bem-humorada e generosa.
Quando comecei a me aventurar a pesquisar as origens da dança em Porto Alegre contava com uma cópia datilografada das pesquisas de Morgada Cunha e Cecy Franck, que na época não haviam sido publicadas ainda. Lá aparecia o nome de Irmngard Hofmann Azambuja e algumas linhas sobre seu trabalho na década de 30. Num primeiro momento ficou apenas um desejo de intrigante de saber mais. Perguntava para professoras de balé mais antigas, buscava encontrar outras referências sem sucesso. Não sabia se ainda estava viva ou não. Em 2003, quando assumi as aulas de História da Dança, na Universidade Federal do RS, propus aos alunos o exercício investigativo das origens da dança no Estado. A uma das alunas coube Irmngard e uma certa tristeza de tão pouco material sobre ela. Mas a aluna, Rose Nunes, começou a procurar, indo, inclusive investigar guias telefônicos antigos, até que encontrou uma senhora de mesmo nome, ligou e perguntou se era da residência de Irmngard. E ouviu a seguinte resposta: Sim, é ela mesma.
A partir daí minha aluna produziu um belo trabalho inicial e seguiram-se vários encontros meus com Dona Irmngard em sua residência, no chá da tarde. Foi assim que fomos descobrindo que com pouco mais de sete anos, em 1925, ela já havia subido ao palco, em uma ópera no Theatro São Pedro. Que formava, ao lado de Lya Bastian Meyer, Tony Petzhold e Salma Chemale, os pilares do balé clássico em Porto Alegre. Que as quatro dividiram o palco, em 1928, na primeira apresentação do Instituto de Cultura Física, de Nenê Dreher e Mina Black. Que teve sua própria escola de balé no final da década de 30, o Instituto Coreográfico Irmngard Hofmann. Que a jovem bailarina realizou viagem de estudos pelo Brasil, fazendo aulas com mestres como o tcheco Vaslav Veltscheck, do Municipal do Rio de Janeiro. Que, em 1938, suas bailarinas Leda Acauan, Berenice Faedrich e Érica Renner apresentam Valsas e Danças Húngaras, de Brahms, que encantou o crítico do jornal Correio do Povo, Aldo Obino.
Ficamos sabendo que ela deixou de ser professora por opção (e por conselho de um crítico do jornal Diário de Notícias), para ser artista e solista que se apresentou em inúmeras cidades do Estado, divulgando a arte do balé e encantando o público com seu talento e técnica ao som de Chopin, Debussy e Grieg.
E as surpresas não se esgotavam. Com orgulho especial ela revelou que foi primeiro violino da OSPA, tendo sido regida pelo maestro e compositor Villa-Lobos. Que depois de ter se afastado dos palcos não largou a dança e ampliou seu interesse para ioga (tendo publicado três livros sobre o tema). E que ainda tinha uma turma de alunas setuagenárias que se encontram em sua casa, não apenas para conversar, mas para se exercitar e dançar. E, como talvez, meu olhar traduzisse incredulidade, trouxe uma fita VHS em que me mostrou um balé cósmico no qual ela dançava com as alunas, representando astros, planetas e outros corpos celestes. Sim, aquele senhora que me servia chá e em breve completaria 90 anos, dançava e comandava o baile ainda.
Como se não bastasse, Dona Irmngard me confiou, por 24 horas, seus cadernos de recortes e fotos para que eu fizesse cópias. Álbuns amarelados com programas e críticas de jornais. Assim, pude ir aos poucos recuperando essa decisiva e inestimável participação na formação da dança cênica em nosso Estado.
E tinha mais. De uma gaveta ela me revelou um tesouro (ainda que ela não assim o considerasse): um álbum com centenas de fotografias de poses e seqüências de balé com a descrição escrita à mão. Um material da década de 1930 e que arrisco afirmar que possa ser o primeiro manual sistematizado de balé no Brasil.
Enfim, sucederam-se vários encontros para minha felicidade. Tardes inteiras ouvindo histórias de dança. E um convite do qual muito me honro, de estar presente no sua festa de aniversário de 90 anos. Segundo Irmngard, em entrevista à pesquisadora Rose Nunes, em 2003, declarou que nunca parou de dançar: “danço até hoje, em minha intimidade, basta ouvir alguma música que me comova, ou desperte minha atenção por sua beleza, ou até mesmo quando acontece algum fato ou momento que me comova, sinto vontade de dançar.”
E foi inevitável, frente ao reconhecimento de tanto trabalho para afirmar a arte da dança, homenageá-la em 2005, no Dia Internacional da Dança, quando cerca de 2 mil pessoas aplaudiram-na em pé no Salão de Atos da UFRGS. E, posteriormente, indicá-la ao Prêmio Joaquim Felizardo, que destaca todos aqueles que tiveram uma contribuição inestimável à cultura local.
Não consegui realizar, contudo, um plano secreto nosso. O de no Dia Internacional da Dança, valsarmos junto para comemorar a data. Ela tinha aceito o convite, mas acabei envolvido com lidas acadêmicas nos últimos anos que me afastaram dessa concretização. Azar o meu, pois Dona Irmngard seguiu seu bailado pelo grande salão da galáxia, afinal esse é o lugar de toda estrela. Se um dia arrumar outra parceira para minha valsa (que terá como intuito homenageá-la mais uma vez), tenho certeza que ela vai autorizar, e uma luzinha vai estar brilhando mais forte lá no céu, ajudando a marcar a contagem: um, dois e três; um, dois e três; um, dois e três..."
Airton Tomazzoni, 24 de outubro de 2010.
Texto publicado no blog do Centro Municipal de Dança: http://cdancasmc.blogspot.com/2010_10_01_archive.html
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